Creative Commons License Olho, vejo, penso, fotografo e congelo o tempo para sempre / I look, I see, I think, I photograph and freeze time forever

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26 de agosto de 2010

Fechar os olhos e sonhar

mas os sonhos não são para se contar
e não saberia que palavras usar

Procurei Florbela Espanca ao ver estas estátuas
e escolhi o seu poema "Volúpia" que aqui transcrevo

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

27 de março de 2010

Contemplação e estória imaginada


O Rei D. Carlos adorava Cascais, gostava de falar com os pescadores, com aquela gente trabalhadora
Naquela época, Cascais era mesmo uma vila piscatória, com uma azáfama marítima impressionante
A Baía de Cascais enchia-se de gente para observar as tarefas dos pescadores e das varinas na praia
O Rei passeava pelas ruas estreitas, cumprimentava todos que o saudavam alegremente
Mas o que realmente queria era dirigir-se rápidamente para o mar, e ali ficar a contemplar
Aquele mar revolto, demais vezes, aquele nevoeiro que teimava em ficar
Parava, apoiava-se no varandim, contemplava o que o nevoeiro deixava enxergar, apesar do sol radiante
Hoje não podia contemplar a paisagem até ao Bugio ou ver as praias da Caparica
Hoje só podia contemplar o que o rodeava de mais perto
Hoje os binóculos não o podiam ajudar
Mas hoje como nos restantes dias, podia sempre contemplar!

5 de março de 2010

O que estás a fazer?


- o que estou a fazer?não estou!
- não estás?mas não estás, o quê?
- não estou a conseguir passar a escrita o que tenho a turbilhar na minha cabeça
- mas o que tens na cabeça?
- são palavras soltas sem nexo, não vais entender!
- deixa estar, há dias assim, amanhã tentas outra vez!
- amanhã...talvez, se o amanhã chegar...

21 de dezembro de 2009

Diálogos de estátuas

...olha só para ela...
...o que tem?...
...está descontraída...
...não se importa com quem passa...
...pois não...e depois?...
...já viste como está sentada?...
...já...e então?...
...parece mal...está na rua...
...e depois?...o que tem de mal?...
...bem, nada, suponho...
...tu também querias...se pudesses!
...pois queria...mas não posso...
...tenho uma imagem a manter...
...pois tens...mas é a tua...
...a dela é diferente...é a dela...

17 de dezembro de 2009

...Recantos...


...em recantos...recatados...
...de frente...de costas voltadas...
...paramos...reflectimos...ou simplesmente descansamos...
...fugimos...queremos estar sós...
...não sózinhos...simplesmente sós...
...por vontade...por circunstância de vida...
...mas estamos...recatados...naquele recanto...

11 de setembro de 2009

Cautela

...cautela...meus senhores...
...tenham atenção ao que dizem...
...de uns e de outros...
...do que prometem...
...do que dizem que vão construir...
...do que dizem que vão mudar...
...do que dizem que vão melhorar...
...estou atenta...sempre  estive atenta...
...e não gosto de apontar o dedo...
...mas se for preciso...
...não hesitarei!!!

24 de agosto de 2009

Sem facho...




...olhei para ela...

...não para o facho luminoso erguido...

...mas para o seu rosto...

...triste...quase envergonhado...

...pois do seu significado...o homem...os homens

...não querem saber!!!