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28 de novembro de 2018

ExperiênciasHumanas



 naqueles frascos Manuel fazia experiências
julgava as pessoas, troçava delas
Manuel pensava poder moldar as pessoas em seu redor
manipulava, instrumentalizava todos em redor
Manuel sentia prazer em ferir os amigos e colegas
mas como em todos os laboratórios
as experiências podem falhar
e os laboratórios explodir!
e Manuel explodiu um dia, no laboratório!

21 de abril de 2017

As manas

e as manas ali ficaram
em estado de desolação total
unidas no sofrimento e recordações
duma família outrora feliz
ansiosas pelo calor do Sol
que lhes aquecessem o coração
deixadas tocar pelo vento
que lhes traria esperança
e as manas ali ficaram
em estado de união

18 de abril de 2017

(A)mar

(A)mar
nem todos sabem
mas todos amam
pois julgo crer
que há muitas pessoas que amam
sem o saber
e muitas ainda que amam
sem o saber fazer
pode amar-se perdidamente
e sofrer?
pode amar-se loucamente 
e fazer sofrer?
amar sufocando
amar controlando
amar magoando
amor
não o será
mas pensarão que sim
será?
(A)mar


12 de abril de 2017

7 de abril de 2017

Traquinas Meninas

meninas traquinas
meninas lindas
ora se portam bem
ora nem por isso
quando se pede um sorriso
fazem birra
sem saber que assim
ainda mais bonitas ficam!

3 de abril de 2017

Boneca Sente

Beatriz sonhava com um mundo encantado
de flores coloridas na primavera
de neve branca no Inverno
de douradas folhas no Outono
de azul celeste do mar e céu no Varão
Beatriz sonhava sentir
o cheiro a maresia
o vento gelado na cara
a relva suave na pele
a areia quente nos pés
Beatriz sonhava
Beatriz só podia sonhar
pois Beatriz não podia sentir
pois Beatriz era boneca
e as bonecas não sentem
ou será que sentem?


1 de outubro de 2013

26 de junho de 2013

santos

santos, santos
populares, alguns nem tanto
sardinhas e mais sardinhas
a preço de cherne
lume, fumo, carvão
mãos negras
cuidado com as calças e camisa
aguardo
pelo cheiro intenso
característico, inconfundível
santos, santos
que deixaram de o ser
por seu tempo acabado

30 de abril de 2013

gravada na minha pele




ficou gravada na minha pele
a memória de ti a sorrir

o abraço forte de braços débeis

o beijo quente em pele fria

ficou gravada na minha pele
a dor que sentias nas noites escuras
o aperto de mão
os murros que destes na estante
ficou gravada na minha pele
o olhar implorativo
o comprimido que já não engolias
a respiração ofegante
ficou gravada na minha pele
a tua pele

26 de março de 2012

domingos

aos domingos passeia-se no paredão
desfruta-se do belo sol e do mar a cheirar a sal
caminha-se devagar ou a correr
aos domingos passeia-se no paredão
sentados na esplanada ou nos degraus de pedra
lê-se concentrados ou de cabeça no ar
aos domingos passeia-se no paredão
e não tem fim a nossa imaginação


19 de dezembro de 2011

ele estava ali

passeava descontraída
sem pressas, sem compras por fazer
a mente voava alto
em sonhos longínquos
alguém chamou-me
"Lena, chega aqui"
olhei para ver donde vinha a voz
e pasmei!
era ele, ele mesmo ali,
o Pai Natal.
"Senta-te aqui e ouve esta estória", disse ele
e eu, com o coração a saltitar
parei e sentei-me
a ouvir a estória de Natal..
acordei!
feliz
estivera com o Pai Natal
ainda que em sonhos

20 de outubro de 2011

explosão

como fogo de artifício
a mente está prestes a explodir
rebentam ideias coloridas
emergem figuras monstruosas
em fracção de segundos tudo se ilumina
mas depressa tudo fica escuro
como fogo de artifício

6 de junho de 2011

a sombra da espera



sombra a dois
a espera
não tenho velejado
não que o tempo não esteja bom
mas o tempo não me dá tempo para isso
a espera por tempo
o tempo que deixo de ter a dois
a sombra no meu pensamento
a espera que me desespera
ou talvez não!
que o tempo dá tempo
para outras coisas a dois


26 de agosto de 2010

Fechar os olhos e sonhar

mas os sonhos não são para se contar
e não saberia que palavras usar

Procurei Florbela Espanca ao ver estas estátuas
e escolhi o seu poema "Volúpia" que aqui transcrevo

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

8 de junho de 2010

Saudades dos teus abraços



tenho saudades dos teus abraços
mãe
saudades do teu colo, do sorriso meigo
das tuas carícias, de sentir o calor da tua mão
lembro e relembro a tua última carícia na minha face
vezes sem conta
lembrança eterna na minha mente e coração
por isso me elevo, me estico toda, em bicos dos pés
para te dar esta rosa
tenho saudades
mãe
dos teus abraços!

12 de setembro de 2009

Estou aqui





...estou aqui...
...sossegada...silenciosa...assustada...
...quero que me toques...me acaricies...
...não...esse toque não...que me dói...
...o outro...sim...esse...
...esse toque que me dá força...
...me alivia...me aquece...
...esse toque que me agarra à vida...
...esse toque que me tranquiliza...
...sim...
...estou aqui...quero que me toques...

11 de setembro de 2009

Cautela

...cautela...meus senhores...
...tenham atenção ao que dizem...
...de uns e de outros...
...do que prometem...
...do que dizem que vão construir...
...do que dizem que vão mudar...
...do que dizem que vão melhorar...
...estou atenta...sempre  estive atenta...
...e não gosto de apontar o dedo...
...mas se for preciso...
...não hesitarei!!!