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20 de janeiro de 2013

infância

Beta passara ali a infância
nas férias de verão não escapava
a mãe a colocava na casa da avó sempre no dia 15 de Junho
de início não gostava e nem percebia porque tinha de ir
não conhecia a vila nem as crianças da rua
que a olhavam com estranheza e quase indiferença
não se sentia nada bem ali naquela casa
a avó fazia tudo para que se sentisse bem
cozinhava apenas do que gostava e bolinhos de chocolate deliciosos
passeava com ela no campo e acabava por correr atrás das ovelhas
os dias eram longos e com o tempo descobria sempre coisas novas
começou a apreciar aquela liberdade. aquele cheiro a campo
sim, o campo tinha um cheiro próprio que invadia seu corpo
cheiro que se impregnava na roupa e pairava na noite no quarto
a avó tinha umas mãos rugosas mas muito suaves
não compreendia como aquelas rugas não magoavam
mas não, aquela mão era como algodão na sua pele e quente
sempre que a avó a acariciava sentia um calor interior que não sabia explicar
mas gostava, aliás, passou a adorar aquele momento antes de adormecer
e com os anos, em todos os dias 14 de Junho não conseguia dormir
tal o desejo de abraçar a minha avó e dormir na cama fofa
de início não gostava
mas passei a adorar
e agora, agora
passei apenas a recordar


6 de novembro de 2012

como sempre

estava de passagem, como sempre
contemplava a paisagem, como sempre
observava as videiras, como sempre
aguardava as uvas amadurecerem, como sempre
caminhei na árida terra, como sempre
ouvi os pássaros chilrear, como sempre
toquei e cheirei as roseiras, como sempre
e como sempre olhei para o Sol
mas o Sol, estrela grande no céu 
brilhou como estrela de presépio
e não foi como sempre

18 de fevereiro de 2012

paz






























olhar para cima
para o ar, para o azul celeste
para os ramos das árvores
que beijam suavemente
para as nuvens de algodão
que acariciam o céu
olhar para cima
sempre para cima
pois para baixo
andam "baratas" e "doninhas"

27 de agosto de 2009

Sou mortal...já sei...
















...sei...já sei...
...sinto...também já sinto...
...mas ainda não acredito...
...que vou deixar de te ver...
...de sentir os teus braços...
...sei...já sei...
...o amanhã pode não chegar...
...por isso...abraça-me...
...hoje...aqui...agora...

Aqui...é aqui...
















...aqui...pára...
...deixa-me espreitar...sentir...
...o cheiro das flores...
...o fresco das árvores...
...a tranquilidade do lago...
...a luz deste céu...
...é um momento...um só momento...
...deixa-me recordar...