23 de Maio de 2013
9 de Maio de 2013
empilhados
empilhados
como fatos de bloco
uns em cima de outros
outros em cima de uns
nunca se sabe quais uns e outros
empilhados
como fatos de bloco
as pessoas necessitadas
em lista de espera infinitas
sem rosto e só número
empilhados
como fatos de bloco
esperam e desesperam
pela cirurgia que os salvaria
pela esperança que teimam em ter
de ser bem tratados
empilhados
como fatos de blocos
as folhas de propostas cirúrgicas
que nunca serão realizadas
porque a espera deixou de esperar
morreu!
30 de Abril de 2013
gravada na minha pele
ficou gravada na minha pele
a memória de ti a sorrir
o abraço forte de braços débeis
o beijo quente em pele fria
ficou gravada na minha pele
a dor que sentias nas noites escuras
o aperto de mão
os murros que destes na estante
ficou gravada na minha pele
o olhar implorativo
o comprimido que já não engolias
a respiração ofegante
ficou gravada na minha pele
a tua pele
21 de Abril de 2013
20 de Abril de 2013
10 de Abril de 2013
9 de Abril de 2013
a espera
seu coração batia forte e depressa
não a via há mais de1 ano
o desemprego separara-os e cada um foi para seu lado
bem tentaram ficar juntos, sempre, como prometeram
mas a vida era ingrata e a promessa foi quebrada
mas estavam sempre juntos no coração e alma
sofriam de saudades atrozes mas tinham de ser fortes
ele partira para Londres, ela para França
agora iam juntar-se por 2 semanas e ansiava por lhe dar um beijo
não, um não, muitos e muitos até perder a conta
sabia que ela sentia o mesmo e iria retribuir
naquela estação de comboios que já não o era
Francisco esperava, esperava
e o momento do reencontro não chegava
Madalena era a mulher da sua vida
e não seria a distância que modificaria esse sentimento
Madalena podia ir agora com ele para Londres
e novo rumo teriam as suas vidas
agora sim, ficariam juntos, para sempre
como prometeram
4 de Abril de 2013
30 de Março de 2013
estava frio
estava frio lá fora
dentro um calor enganador
terminara a moda Paris
estava na hora de regressar ao lar
mas como ir com este frio
queria aquele casaco quente
mas era de pele genuína
significava mortes fortuitas e maus tratos a animais
não, não seria conivente com tais atitudes
tinha frio sim
mas aquela casaco não vestiria
estava frio lá fora
dentro um calor enganador
21 de Março de 2013
duavô
relógio, antigo, do avô
guardado como um tesouro
tempo que passa, depressa, muito depressa agora
lembrei-me do Coelho Branco, sempre a correr
em Alice no País das Maravilhas
e ovos de Páscoa, de coelho, não galinha
o "meu coelho Ernesto" não dá ovos
mas faz-me rir, muito
o "Ernesto" é imaginário
mas adoro sonhar com ele
lado a lado, a correr, correr
como a Alice no seu conto
também a Lagartinho está feliz
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